Tradição passada de mãe para filha, aprender a costurar (corte e costura) e bordar era quase que uma obrigação para as mulheres há algumas décadas.

O costume foi abandonado com a modernidade e à medida em que elas saíram de casa para o mercado de trabalho com mais frequência. Hoje, o cenário é outro: escolas em Belo Horizonte propõem o resgate dessas práticas, sem a imposição do passado.

“A energia de hoje é completamente diferente, não existe o estigma negativo da obrigação de antes, as pessoas estão descobrindo essas atividades como lazer”, observa a psicóloga Cláudia Felga, proprietária do Ateliê da Vila, no bairro Sion.

Corte e costura
Cláudia Felga investe em turmas pequenas para atender melhor as alunas (Foto: Cristiano Machado)

As turmas têm alunas de diferentes perfis. “Mas todas acabam se apaixonando”, revela Cláudia. Foi o que aconteceu com a designer de produtos Clara Araújo, de 49 anos.

“Experimentei o bordado nas minhas horas vagas e me apaixonei pelo trabalho manual. Minhas tias e minha mãe bordavam e costuravam. É como se eu voltasse no tempo”, conta.

“Para o futuro, penso em transformar as habilidades aprendidas em fonte de renda. Hoje considero as aulas como trocas de conhecimentos”
Mariana Rego
Professora, 58 anos
Aluna do Ateliê da Vila

Renda

Além do prazer, ter uma nova fonte de renda ou um espaço no mundo fashion também motivam a adesão aos cursos.

“A moda movimenta altas cifras em Minas, que tem uma mão de obra muito valorizada. Quem entende o processo da costura tem lugar certo no mercado”, afirma Fernanda Aguiar, uma das sócias da Escola de Moda Denise Aguiar, localizada na Praça da Savassi.

A empresária destaca o aumento significativo da procura pelos cursos de Design de Moda e Corte e Costura nos últimos dois anos.

Para ela, o boom pode ter sido motivado tanto pela quantidade de pessoas querendo fazer transição profissional quanto pela crise econômica brasileira, que causou desemprego e levou muita gente a repensar as próprias carreiras.

Exemplo

Criar peças exclusivas e cheias de feminilidade levou a lutadora de jiu-jitsu Nina Lopes, de 26 anos, a procurar na escola de Fernanda cursos como o de corte e costura e o de estamparia digital.

A atleta, que se formou em Design de Moda na faculdade, sentiu necessidade de dominar o processo de confecção antes de montar a própria marca de roupas fitness.

“Na faculdade, os conteúdos são abordados superficialmente, é preciso aperfeiçoar”, conta a designer, que já desenvolve as peças da coleção.

Fonte: http://hojeemdia.com.br

 

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